A ansiedade e a urgência em ser o melhor

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Sem sombra de dúvida a ansiedade é onipresente na sociedade pós-moderna. E nem é preciso ir muito longe pra constatar  tal fato. Basta perguntar pra quem está, neste momento, próximo a você, se é ansioso ou não. A maioria dirá que sim.

Claro que há um grau de ansiedade que faz parte da vivência do ser humano. É aquela reação natural do nosso organismo, um estado de alerta, acionado pelo nosso sistema nervoso central, quando estamos diante de algo que nos ameaça ou nos desafia, como fazer uma prova, alguma apresentação, etc. No entanto, há um tipo de ansiedade que é incontrolável, com maior intensidade e duração e que interfere no dia a dia da pessoa – a negativa – que tem sido a marca de nossa sociedade.

Há uma pressa permanente em dar conta das nossas tarefas em uma velocidade que é incompatível com o nosso ritmo fisiológico e psíquico. Por conta disto, nos tornamos intolerantes. Não sabemos mais esperar. Não respeitamos o nosso ritmo interno, que dirá o do outro. Temos pressa em chegar, mas nem sempre sabemos o por quê.

Somos reflexos de uma sociedade adoecida que, muitas vezes, leva ao extremo a obediência às pressões sociais de ideais, na maioria das vezes, inatingíveis. Há uma busca por uma pretensa felicidade que nunca se concretiza já que o significado de bem estar, neste cenário social, se modifica velozmente. Novas “necessidades” são constantemente criadas, levando ao consumismo sem limites, de objetos a pessoas. É preciso ter, de forma alienada, sem consultar a própria vontade.

Há uma urgência em ser reconhecido como o melhor, seja no desempenho profissional, no corpo perfeito, nas relações afetivas ou na aquisição de bens materiais. É esta busca desenfreada pelo modelo instituído socialmente, sem reconhecer os próprios limites e necessidades, que causa sofrimento e quadros de ansiedade. Afinal, como relaxar uma vez que tudo é urgente, tudo “é para ontem”?

O fato é que esta obsessão em se encaixar nos padrões sociais, com a promessa de dar sentido a própria existência, ou reduzir a angústia, é um tiro no pé. A frustração com os resultados, afinal os limites não são fixos, leva o individuo a impor mais sacrifícios do que é capaz de suportar.

Recebemos estímulos do meio ambiente a todo o momento, sendo necessário compreende-los ou elabora-los, do contrário a somatização de doenças será inevitável. Para ter equilíbrio mental é preciso rever nossas necessidades. Assim, alimentar o amor próprio é indispensável, não resta dúvida, num processo em direção à autonomia do próprio bem-querer e não do padrão social.

Somos únicos. É obvio. Mas quem disse que o óbvio, às vezes, não precisa ser dito?

Joselene L. Alvim- psicóloga/neuropsicóloga

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